Reuniões de Pais: e quando os pais têm uma reação forte?

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(🎵 Música mal-assombrada tocando)
Todas as professoras experientes tem pelo menos uma história de uma reunião de pais que foi desastrosa e que é até hoje um pesadelo. Se você não teve ainda… vai chegar… AQUELA reunião.
(🎵 Música mal-assombrada termina)

Embora a maioria das reuniões sejam ótimas e saímos realizadas com famílias contentes e com o sentimento de um trabalho bem-feito, sempre existem AQUELAS

Para uma reunião não fluir bem existem muitas razões, do lado da escola – como desorganização de horários das reuniões ou ao mandar o relatório para a família errada – e do lado da família – uma separação inesperada dos pais que acabaram de anunciar na reunião ou um desabafo da família sobre o funcionamento da escola em geral.  E, mesmo após você expor tudo que fez e o que você achou do ano e do desenvolvimento da criança, a família pode simplesmente não concordar com sua leitura ou não querer ouvir você, pois não enxergou seu filho no relatório. Simples assim! Se você não passou por esses momentos constrangedores, again, se prepare, pois estão chegando. 

Nesses momentos, o que fazer?

Primeiramente, para todas as reuniões, esteja preparada. Tenha a pauta pronta e alinhada com a coordenação, já pensando nas possíveis reações da família e qual será sua ação. Quando for falar de um ponto de atenção no desenvolvimento, já traga dados e muitos exemplos com as datas para apoiar sua fala, conte com aquela parceira ponta firme para estar junto, e finalmente, ao conduzir a reunião, sempre fale de maneira objetiva e gentil. Aqui, neste texto, você encontra muitas dicas de como se preparar e conduzir a reunião.  

É “O QUE” e “COMO” que fazem toda a diferença. É sobre ser profissional e ao mesmo tempo sensível à família que está na sua frente. Esses conceitos não são mutuamente exclusivos!

Evite a técnica de sanduíche de feedback. Sabe qual é? Aquela em que você fala alguma coisa positiva da criança no início da reunião – “O desenvolvimento motora dela está além do esperado” – depois um ponto de atenção – “Ela empurra todos as crianças menores que ela” – e, por fim, outra coisa positiva – “Mas os desenhos dela são cada vez mais figurativos”. Entendeu a técnica de sanduíche?

Quando você usa essa técnica, na minha experiência, a família sai com um sentimento misto, não entendendo exatamente o que precisa fazer, e acaba não dando valor àquilo que foi seu ponto principal, ficou perdida no meio das maravilhas da criança. E quando a família coloca a reunião na balança, fica como “ah, tá bem na escola”. 

Se você tiver algo desagradável para dizer à família, ensaie e diga de maneira profissional, objetiva e com exemplos – sem florear para facilitar a conversa. Levante o assunto para uma discussão clara e busque soluções com a família. Nesse caso, gosto de fazer o seguinte: tudo que você gostaria de mencionar ao vivo na reunião, que não precisa de uma discussão e você acredita que a família não terá um contraponto, diga primeiro, para no restante da reunião trocar ideias sobre o que você trouxe para a discussão. E finalize com os próximos passos, sejam metas ou ações específicas, que a escola e/ou a família fará para ajudar a avançar o desenvolvimento da criança. 

E lembre sempre que a discussão que acontecer precisa de um registro, não só para ter a evidência que aquela reunião aconteceu – o que é muito importante – mas também para as próximas professoras poderem continuar o trabalho e criar um histórico das intervenções e comunicações com a família. Essa continuidade é fundamental para manter um trabalho fluido com a criança e um bom relacionamento com as famílias. Sabe aquela experiência rara e maravilhosa quando você foi ao PS, teve troca de plantão dos médicos e você não precisou repetir tudo para o novo médico porque eles conversaram antes? Isso é o básico que podemos oferecer aos nossos alunos e famílias. E, se surgir no futuro um questionamento sobre a reunião ou duvidarem de que tal combinado foi ou não foi feito, se você escreveu bem e com os detalhes necessários, você – e a escola – estará protegida!

This is your job, this is their life.

Essa reunião faz parte do seu trabalho, mas para a família essa reunião faz parte das suas vidas pessoais. Seja empática e sensível. Se você mostrar para a família algo que pode ser lido ou interpretado como “negativo”, talvez elas não estejam esperando e tenham uma primeira reação de negar ou se defenderem, o que é uma reação comum e pode acontecer por várias razões. Por exemplo, eles podem inicialmente achar ruim ou sentir vergonha que eles mesmos não viram algo que, ao ser mostrado, se tornou óbvios para eles. A culpa parental imediata que as famílias sentem por qualquer coisa, pequena ou grande, é quase inerente ao nascimento de um filho. Então, mesmo que para você seja algo corriqueiro ou menor, pode não ser para a família, por isso, seja empática e sensível na sua fala, mesmo na 13ª reunião do dia. 

Se você sentir durante uma reunião que a informação ou a discussão está tomando um rumo que não é produtivo ou está mais intensa do que deveria, não tenha medo de pausar e retomar outro dia. Uma boa fala para esse momento poderia ser “percebo que este tema merece ser aprofundado, vamos dar seguimento a outros temas e remarcar para a próxima semana uma reunião especificamente para tratar de X?” Às vezes, dar um tempo ajuda a digestão da informação na parte dos pais e, dependendo da resposta da família, para a professora também. A família pode voltar com boas perguntas, novas ideias, e uma abertura que não conseguiu ter ao tomar conhecimento dos seus dados pela primeira vez. 

Se o tempo da reunião esgotar, marque outra ou fale que vão pensar juntos nas ações por telefone e combine quando você vai fazer essa ligação. Não deixe uma reunião terminar sem que todos se sintam ouvidos e tenham entendido os pontos que você levantou, do contrário o trabalho não flui com a criança, nem com a família nem para a próxima professora.

E quando a família não leva você a sério ou você já sabe que a sua fala não vai ser bem-vinda? Você pode trazer alguém para apoiá-la! Chame a coordenadora, o psicólogo escolar ou outra especialista (se tiver) para apoiar sua fala quando necessário. Não tenha medo de pedir ajuda, pois, no fim, além de você se sentir apoiada, a reunião poderá fluir melhor e seu objetivo alcançado. 

O que fazer se você recebe uma crítica ou ofensa?

Primeiramente, relate para seu superior assim que acabar a reunião, com a testemunha que estava junto – por isso também é necessário ter uma pessoa além de você. E, embora nunca seja prazeroso receber qualquer fala desagradável, e a escola deve se posicionar, lembre que esse estresse é comum em muitas profissões que lidam com o público geral: recepcionistas lidando com salas de espera, médicos que precisam dar notícias difíceis, pessoas que trabalham com telemarketing, garçons quando erram (ou quando a cozinha erra) o pedido, psicólogos que fazem perguntas delicadas e muitas outros profissões que precisam lidar com as famílias e/ou emoções das pessoas. 

Parte do nosso trabalho como professoras é dizer coisas difíceis para as famílias, assim como nós fazemos com as crianças e como as coordenadoras fazem com suas equipes. O desejo de deixar pais e crianças felizes toda hora não faz parte da nossa profissão, não somos recreadoras infantis, somos educadoras! Na sala de aula, nós sabemos o que é melhor para elas, e os pais precisam entender isso. Se você é uma people-pleaser, essa parte fundamental do trabalho será muito difícil para você e demandará muito estudo, trabalho, amadurecimento e mais experiência da sua parte.  

No final das contas, esse é o seu trabalho e, às vezes, você recebe uma família que não está no seu melhor dia, como acontece com todos nós. E, se for esse o caso, faça o que você costuma fazer quando está estressada: respirações, academia, terapia, dar um passeio, ler um livro, fazer o que você normalmente faz para mudar seu cérebro do trabalho para casa. E, faça um favor para si mesma: deixe o trabalho no trabalho, afinal, ao contrário das famílias que atendemos, essa é uma relação profissional que você tem com eles e com seus filhos, mesmo que você goste muito do seu trabalho e ame sua profissão. 

Saiba que, para eles, o seu trabalho é muito pessoal, então continue a dar o seu melhor como professor quando estiver na escola, mas, no final do dia, shake-it-off as best as you can. Quer ajuda para fazer a transição do trabalho para casa? Aqui está uma lista de ideias para você se inspirar!

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