Reunião Individual de pais – Get it right!

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A reunião individual de pais pode ser um momento delicioso ou tenso, e a diferença está na sua condução. A chave para que seja um sucesso está no planejamento. Você é quem tem algo a dizer e é você quem vai indicar para a família quais são os próximos passos que vão beneficiar o desenvolvimento da criança, então esteja preparada e use essa oportunidade para criar ou aprofundar um vínculo de confiança com os pais. 

Explicamos aqui cinco estratégias que você deve incorporar antes ou durante a reunião para garantir que ela seja produtiva, objetiva e que assegure uma parceria de qualidade. A primeira ação a ser tomada por você é:

Leia os relatórios e atas anteriores

Entenda como a relação com essa família vem sendo construída. Se outras reuniões já aconteceram com você durante o ano, relembre o que foi dito e combinado. Se esta é sua primeira reunião com estes pais, (re)leia o que foi dito sobre a criança pela professora anterior. 

O entendimento deste percurso vai orientar sua fala e vai trazer a oportunidade de fazer boas perguntas para checar como esta família tem acolhido as sugestões da escola. 

Releia rapidamente o relatório que será discutido na reunião; nada mais desagradável do que a família questionar algo que você escreveu e você não lembrar porque aquele ponto foi levantado no relatório. Além disso, o próprio relatório é o roteiro da sua fala: você vai relatar as conquistas e traçar ações para que a criança se desenvolva naquilo que ela precisa, indicando para os pais o que será feito por você (ou pela próxima professora) e o que deverá ser feito por eles. Nunca entre em uma reunião sem saber o que será dito, a reunião não é um bate-papo informal, é um momento precioso para o desenvolvimento da criança e não pode ser desperdiçada! Para garantir a produtividade da reunião:

Tenha suas anotações com você

Relatar acontecimentos é muito diferente de julgar a criança ou a família. Quando você apoia sua fala nos relatos daquilo que você registrou, fica muito mais fácil para a família entender que você sabe o que está dizendo, principalmente porque, no lugar de dizer “Eu acho que, sempre que, toda hora, nunca…”, você vai poder dizer, “em cinco ocasiões, João mordeu um colega durante uma disputa por brinquedo”.

Observe a grande diferença entre dizer: 

Maria chega atrasada toda hora, aí ela perde a acolhida e depois fica inquieta na roda porque quer brincar. Será que vocês conseguem trazer ela mais cedo, senão ela fica levantando, eu não posso deixar ela pegar o brinquedo, ela chora, tudo porque ela nunca chega na hora.” 

Maria frequentemente se levantou durante a roda para buscar um brinquedo e eu fiquei me perguntando o porquê. Observei que esse comportamento era mais provável quando ela chegava depois da acolhida, e, para ter certeza, anotei durante o mês de outubro. Ela chegou durante a roda 12 vezes, e todas as vezes ela se levantou para buscar um brinquedo. Nos dias que ela chegou no horário, que foram 5 dias, ela brincou durante a acolhida e não se levantou durante a roda. Por isso, é muito importante para ela chegar pontualmente, posso contar com vocês para fazer esse ajuste na rotina?

Ter as anotações sobre os temas que você vai trazer é o que sustenta a terceira estratégia, que é:

Seja objetiva e concisa

Muitos temas são relevantes e devem ser abordados na reunião, então é preciso ter cuidado para não se perder em contar histórias ou entrar em assuntos que não estão na pauta, a não ser que sejam trazidos pelos pais e sejam importantes. Aqui, ser objetiva e concisa quer dizer navegar pela sua pauta pontuando e justificando com exemplos claros as questões que você está trazendo. 

Perceba que ser objetiva não tem nada a ver com ser seca ou distante. Você pode sim agir conforme sua personalidade: ser sorridente, acolhedora, séria ou da forma que se sinta mais confortável. Mas você tem um tempo limitado e precisa que a comunicação seja eficiente, então priorize sua pauta. Isso é respeito pelo tempo dos pais e pelo desenvolvimento da criança. O exemplo da Maria ilustra bem uma fala concisa e objetiva: ela caminha com os pais para mostrar que você identificou um ponto de atenção, investigou para confirmar uma hipótese, trouxe dados que confirmam sua fala e encerrou propondo uma ação para a família, tudo isso sem julgar ou culpabilizar. 

Quando nos distanciamos da objetividade, corremos o risco de falar mais do que o necessário e criar situações de constrangimento, até mesmo para a gente. Seja objetiva e sustente o silêncio. Imagine que você quer dizer que uma criança chora durante os conflitos. Se você é objetiva, vai dizer algo como:

Laura usou o recurso do choro com uma frequência que já não é mais esperada para a faixa etária dela. No comecinho do semestre, ela costumava chorar mais de uma vez ao dia. Aí, eu comecei a perguntar para ela, depois de acalmá-la, o que ela achava que poderia ter falado para o amigo. Durante todo o semestre, a gente foi fazendo esse movimento de mostrar para ela que era importante falar, usar as palavras para se comunicar, e pudemos perceber que ela reduziu bastante esse choro, ela terminou o semestre passando até três dias sem chorar nenhuma vez. E em casa, ela tem usado esse recurso? Vamos alinhar essa mesma intervenção de pedir para ela falar? Por exemplo, aqui a gente modelou as frases ‘eu quero esse brinquedo’, ‘você sentou no meu lugar’, ‘eu estava usando esse objeto’. E em casa, em quais situações ela chora? Quais frases vocês poderiam praticar com ela?” 

Mais uma vez, temos a pontuação de uma questão, sua observação e estratégia de resolução e um pedido de parceria, sem julgamento ou culpa. No entanto, comunicação é uma via de mão dupla, então: 

Faça perguntas para checar a compreensão e escute os pais

No exemplo de Maria, é muito importante que eles entendam por que se levantar e sair da roda não é bom para ela. Se eles não entenderem seu ponto de partida, o restante da fala não tem sentido, por isso é importante que você cheque se eles estão acompanhando sua fala. Além disso, quando solicitamos a parceria da família, precisamos garantir que, não apenas ela entende a importância do pedido, mas também é capaz de cumpri-lo. No caso de Maria, talvez a família simplesmente não possa chegar mais cedo, então você precisará propor outro tipo de intervenção com a criança em sala. 

Da mesma forma, no exemplo de Laura, é fundamental que os pais entendam o motivo pelo qual você está propondo substituir o comportamento do choro por um comportamento verbal. Também é muito importante que você escute e acolha o relato dos pais, que pode trazer um luto na família, o nascimento de um irmão, o desconhecimento do que é esperado para uma criança naquela idade, entre outras infinitas possibilidades. E depois da comunicação, é muito importante que tanto você quanto a família saibam os próximos passos, portanto:

Registre um plano de ação e inclua no plano o feedback dos pais

Sim, toda reunião precisa de ata! Não precisa ser extensa ou descritiva, mas precisa conter os principais pontos abordados e os combinados feitos com a família. Dessa forma, os acordos podem ser retomados em outras reuniões, até mesmo por outras professoras, e existe um registro que acompanha a criança ao longo da vida escolar. Esse é um documento riquíssimo se sua escola privilegia os processos em vez de privilegiar os resultados, pois é um registro de percurso da criança e da participação dos familiares.

Estratégia Bônus: você é a professora, não saia deste papel!

Essa estratégia tem dois lados: você é A professora, ou seja, você tem um conhecimento sobre desenvolvimento infantil e conhece a criança em sua atuação coletiva no ambiente escolar. Você deve se colocar de forma profissional e mostrar o conhecimento que tem e o trabalho que faz, é importante que a família saiba que está conversando com um profissional qualificado para desempenhar a função que ocupa.

Ao mesmo tempo, você é APENAS a professora e isso quer dizer que você é um dos adultos que compõem um coletivo de pessoas responsáveis por essa criança. Seus valores e crenças não dizem respeito a essa família e você não deve dizer a eles como eles devem criar os próprios filhos. Mantenha sua fala na esfera pedagógica, não cabe a você dizer onde a criança deve dormir, o que ela deve ou não comer ou se ela deve ou não viajar no meio do semestre. Dificilmente você conhece em profundidade as complexidades que essa família enfrenta, então você deve sempre trazer para a reunião as questões que permeiam a vida escolar da criança e que podem ser resolvidas com a parceria dos outros adultos.  

Ah! Último ponto para ter em mente: muitos adultos tiveram uma vida escolar difícil. Nem sempre é fácil sentar com uma professora, isso pode mover emoções que nem eles elaboraram. Seja gentil! 

Sua reunião individual de pais será um sucesso com as cinco estratégias que enumeramos neste texto! Você estará preparada, vai saber o que dizer de forma fundamentada e terá uma comunicação clara com as famílias, ou seja, as bases de uma parceria de sucesso estarão garantidas! Mande o link deste texto para uma professora que se sente insegura com este momento e a ajude a conduzir reuniões de sucesso!

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