Como criar um hábito: dicas para professoras que não gostam de rotina

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Se você precisa sentar e ler este post, provavelmente você tem que fazer algo que não quer, mas que você identificou como importante, necessário ou porque chegou no seu limite. Certo? 

Então, pegue um papel, um lápis e um café, e bora elaborar um plano para criar um hábito que agora você não quer, mas seu future-self vai admirar e agradecer. Pegou? Então…

  1. Primeiro, tenha em mente porque você quer criar tal hábito. E seja honesta consigo mesma. Não adianta colocar algo que não vai ser duradouro ou que não vá fazer sentido mais pra frente. Agora, escreva essa justificativa no papel e coloque junto com os resultados dos outros pontos desse post num lugar visível quando a situação está difícil e você precisa relembrar seu raciocínio.

    Aqui, vale pontuar que, num mundo cada vez mais hedonista e querendo instant gratification, o conceito de disciplina como um comportamento exemplar, de ordem e persistência precisa de um resgate. Muitas vezes, na busca da própria felicidade e prazer, erroneamente nos esquecemos de valorizar essa característica tão importante e tão necessária quando pensamos em criar uma meta ou um hábito que não necessariamente nos agrada imediatamente.
  2. Segundo, lembrando o conceito de disciplina e sabendo porque querer criar um hábito, precisamos estabelecer uma meta. Lembra como criar Learning Outcomes para seus alunos? Faça isso também. Pergunte a você, “O que eu quero ver no final do processo? E como eu vou saber que alcancei minha meta?”

    Anote algumas possibilidades, mas escolha a menor meta possível na sua lista. Uma dica aqui é start small. É melhor criar uma meta pequena e totalmente alcançável no início, até para ganhar momentum para a próxima meta, criar uma narrativa de sucesso com a criação e a realização de metas. Anotou? Bora…
  3. Qual é o plano? Assim como fazer um microplanejamento para atingir uma expectativa de aprendizagem, você tem um objetivo e tem que chegar lá. Anote todas suas ideias, loucas ou não, com e sem o uso de muito dinheiro ou tempo, e guarde todas, talvez você precise mais pra frente.

    Analise o que é possível ocorrer na sua vida dessa lista e escolha UMA ação que você vai adotar que é atingível, realista, com pouco custo pessoal e que gere uma pequena mudança. Agora é quando você vai brincar de advogado do diabo, pense no que você sabe que vai atrapalhar sua ação e escreva o que você vai fazer SE essas ideias sabotarem seu processo. Isso irá ajudar com uma visão renovada do conceito da disciplina, para superar a inércia e os pensamentos que não ajudam em nada.
  4. Teste por uma semana e analise os resultados. Às vezes o que planejamos não é como acontece na vida real, não é assim, professora? Então, deixe um espaço para testar sua ideia e ver os problemas que você NÃO previu no caminho. Conseguiu lidar com esses problemas? Conseguiu conversar com sua inércia e se disciplinar quando essa não era sua vontade? Precisa repensar a ação? Precisa recomeçar porque não chegou nem perto do que você imaginava? Tudo bem! Altere ou escolha outra ideia da sua lista que você guardou. Não é porque uma ação não funcionou que você precisa parar ou descartar sua meta! Como em sala, é só escolher outra estratégia. 
  5. Enquanto você procura uma ação por meio de tentativa e erro, e com disciplina, elimine as tentações do caminho, seja um objeto, uma outra rotina, evitar uma pessoa (com uma bela conversa, se necessário), um lugar etc. Tentando diminuir açúcar na sua vida? Se não quer tirar o açúcar da sua casa, coloque em um lugar em que você tem que pegar uma escada toda vez que você precisar dele, entende?

Agora, vamos excluir aquela lenda de que fazer uma atividade duas vezes por semana vai se tornar um hábito? Já ouviu essa? Então, uma pausa para um trecho de um estudo interessante que saiu em 2010 de: Lally, P., van Jaarsveld, C.H.M., Potts, H.W.W. and Wardle, J. do artigo científico How are habits formed: Modelling habit formation in the real world (https://doi.org/10.1002/ejsp.674): 

The time it took participants to reach 95% of their asymptote of automaticity [habbit] ranged from 18 to 254 days; indicating considerable variation in how long it takes people to reach their limit of automaticity and highlighting that it can take a very long time.”

  1. Com essa “boa” notícia, precisamos lembrar que é melhor uma atividade com consistência no mesmo horário/dia e, pelo menos no início, enquanto estabelece a rotina, todos os dias sem falta. MAS… e para pessoas que não curtem rotina e têm uma tendência grande para se sabotar? Ou se você for uma mãe e você raramente consegue fazer aquilo para o que se organiza? Já planeje um plano B para “aqueles dias”.
    Termine essa frase no papel que você está registrando tudo até agora: “Se eu não conseguir (Plano A), vou fazer (Plano B) + horário/dia”. 

    Mas, agora, para quem tem uma tendência para a falta de consistência, uma boa notícia do mesmo artigo: “Missing one opportunity to perform the behaviour did not materially affect the habit formation process”. Não estou te dando uma desculpa, porque você abraçou a disciplina, né? Mas encare como um alívio e uma motivação a mais para continuar com sua ação mesmo quando você simplesmente não consegue fazê-la por um dia.
  2. Agora, algumas outras dicas para pensar em cima do seu plano de ação: Dá para deixar prazeroso de algum jeito? Você consegue ligar algo que você ame com esse novo hábito? Se você está tentando sair para andar todo dia (como é meu caso), una esse tempo com o hábito de troca para Time On após o trabalho, ou que só andando você pode ouvir um podcast ou série que você ame. Ou se você quer começar a ler todo dia, compre um mix de capuccino que você só pode usar para esse momento especial, sabe? Seja criativa e use esse recurso!
  3. Outra dica, conecte o tempo de fazer o hábito novo ao tempo de um hábito já estabelecido. Por exemplo, anote no seu papel, “toda vez que eu fizer X, vou fazer a minha ação para a criação do novo hábito”. “Toda vez que escovo os dentes de manhã, assim que guardar a escova, vou pegar o creme de rosto para passar antes de sair do banheiro para ir para a cozinha” ou “Toda vez que eu ligar o carro para sair pro trabalho, vou colocar um audiolivro para eu trabalhar listening em inglês”. Got it?
  4. Você vai mexer com a base da pirâmide do Maslow? Pense na troca, porque se você tira algo que precisa, o hábito não vai se sustentar por muito tempo. Então, se você precisa perder seu sono da noite por conta da sua meta, você precisa achar outro horário durante o dia para repor. Se você for tirar algo da sua alimentação, o que você vai colocar no seu lugar? Importante essa dica, my friends!
  5. A última é o que eu acho o mais assustador e talvez uma das dicas mais potentes: accountability. Sinto muito falta dessa palavra em português, mas, assim, falar para outros (amigos, família, colegas) da sua meta e a ação que você escolheu, de alguma forma se torna mais real e você se responsabiliza mais por suas ações. Porque você sabe que elas vão te perguntar no futuro “Como está sua meta, você alcançou?”. E aí, você não vai querer falar que abandonou ou não conseguiu, essa sensação é terrível. Então, conte para muitas pessoas, quanto mais, melhor!

    Aliás, nessa mesma linha, se você tiver alguém na sua vida que já conquistou o que você está querendo, mantenha essa pessoa por perto. Aprenda com ela, faça uma entrevista informal, convide-a para ser uma mentora e estar mais perto como uma boa influência na sua vida. Outras pessoas podem ser ótimas para a criação de um hábito nas nossas vidas, só escolha bem!

Bom, a lista foi longa, mas seu papel deve estar repleto de informações agora. É sempre bom criar um plano que você ache que vai dar certo, e melhor ainda quando você consegue transformar um desejo de mudança em uma realidade. Só lembre, ao criar seu hábito, baby steps e disciplina! 

Conte conosco nessa jornada nada fácil que é ser uma professora bilíngue!

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