Qual é a diferença entre objetivos de aprendizagem e o tal de learning outcomes?

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“De qualquer modo, as COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DISPOSTAS NA BNCC devem constituir o arcabouço para a elaboração das diversas possibilidades de programas de educação plurilíngue do país.”

(Diretrizes Curriculares Nacionais para a oferta de Educação Plurilíngue, ênfase nossa)

Yeah, about that

Aí fica difícil para nós, professoras bilíngues, né? Estamos ensinando em inglês muitas vezes e temos que seguir um documento que não foi elaborado com a aquisição de uma segunda língua em mente. 

E aí, o que devemos seguir em termos de objetivos de linguagem pensando em uma criança bilíngue? Por exemplo, na BNCC para crianças de 3 anos temos o objetivo de aprendizagem (EI02EF01) que diz “Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões.” 

Como vou avaliar isso em inglês! Really, BNCC, really?

Mas espera, isso não é um texto desabafo, é um texto que VAI AJUDAR VOCÊ a fazer exatamente isso, avaliar a aquisição da segunda língua usando os objetivos da BNCC. E, para fazer isso, temos que entender o conceito da nossa salvação, o tal dos learning outcomes

Para entender a diferença entre um objetivo de aprendizagem e um learning outcome, vou levar você para o mundo fora da educação, para o mundo “normal” de relacionamentos de casal. 

“What???”

“Shhh, sim, viaje comigo um pouco…”

Primeiro, uma viagem total…

Vamos imaginar que você tem um casal de amigos e eles precisam que você os ajude a resolver um conflito. E, é claro, que, como uma boa amiga, você topa ajudar. Aí você pergunta para o casal qual é o conflito para ir pensando em como você vai ajudá-los a resolver o problema. 

O encontro está marcado, seu objetivo é posto – para que seus amigos saiam da conversa com seu problema resolvido e que eles vivam felizes para sempre – e você já está há alguns dias elaborando boas perguntas e pensando na melhor situação e solução para resolver o esse problema deles. 

O dia chega, você faz o que pensou em fazer – colocou seus planos em ação – esperando os resultados dos seus esforços. Você abriu suas ideias, trocaram outras, eles choraram…Mas, ao terminar a conversa e enquanto você dirigia para casa, você percebeu que você pensou em tudo menos uma coisa: quais resultados você estava esperando? O que saiu, afinal? E como saber se seu objetivo foi atingido? 

Será que só porque você está com uma sensação feliz que você foi útil na vida dos seus amigos é o suficiente? 

Eles pediram desculpas? Colocaram metas juntas ao final? Fizeram uma reflexão e entenderam onde foi o nó? Conseguiram se escutar durante o processo? Enxergaram seus erros e acertos? Reconheceram os sentimentos do outro? COMO SAÍRAM?

Essa última pergunta, “como saíram”, seria a seguinte pergunta em inglês: “What came out of it?” ou “What was the outcome?”.

Se já não caiu a ficha, vamos entrar um pouco mais no conceito. 

A pergunta é o que teria que acontecer, o que teria que ter saído da conversa, para que você conseguisse falar que seu objetivo inicial – ajudar a resolver o problema dos amigos –, foi atingido?

Voltando para o mundo da educação…

Agora, trazendo essa ideia para o nosso mundo de educação, o que a criança poderá fazer que traria evidências de que aquele objetivo geral da BNCC fosse atingido? É um passo a mais, que, se você fizer, vai ajudar o ano todo nas suas avaliações e traz mais objetividade para a subjetividade dos objetivos de aprendizagem da BNCC. 

O exercício, e é isso mesmo – um exercício – fica mais fácil quanto mais se faz, como tudo na vida. A ideia é fazer o que nós fizemos no exemplo acima com o casal de amigos: pegar um objetivo e elaborar como vamos enxergar que esse objetivo foi atingido. Entender o que a criança pode fazer, por meio dos seus comportamentos (qualquer ação – evidência), que mostrará a você que ela entendeu um conceito ou conseguiu realizar uma habilidade. Mas espere, vamos ajudar você mais ainda. 

Usar algumas estratégias…

Uma boa ideia é responder à pergunta: “Eu vou saber que a criança alcançou esse objetivo se ela consegue…” ou “se a criança fizer X, eu vou saber que ela entendeu X”. Assim, você já vai ter anotado, nessas respostas, boas ideias para nortear você no seu planejamento e na sua avaliação mediadora.

Como você pode ver, será necessário fazer o mesmo exercício com o mesmo objetivo algumas vezes, pois, pelo menos com o da BNCC mencionado acima, existem muitos aspectos dentro de um só objetivo. Por exemplo, “dialogar com crianças e adultos”, eu pergunto “Quais crianças? Todas? Conhecidas? Novas?”. E também “expressar desejos, necessidades, sentimentos e opiniões”. Quais? Em quais contextos? Para quem? 

Certeza que não espero que a criança fale que precisa ir ao banheiro para as pessoas na portaria! 

 Mas criar os learning outcomes ajudará você a quebrar os objetivos da BNCC, que são muito abertos, nos elementos mais importantes, pensando no seu contexto específico para você poder planejar e avaliar. Vamos para a prática agora!

Colocando em prática…

Então, vamos pegar esse mesmo objetivo que estamos usando e criar bons learning outcomes que você pode usar já na sua sala de aula. 

(EI02EF01): Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões.

Para mostrar como funciona, temos que criar um contexto típico de uma sala de aula com crianças de três anos: 

Que tal imaginar que algumas das crianças na nossa sala fictícia frequentavam a escola no ano passado e já foram expostas ao idioma por um ano, e junto com elas temos algumas crianças novas para a escola e para a língua inglesa. 

Sound familiar?

E vamos criar um contexto de grupo em que a professora está trabalhando com a percepção das necessidades biológicas das crianças – afinal é época de desfralde! And while we are at it, vamos já juntar uma época de frio nesse período – sorry Nordeste do Brasil, onde frio quase não existe – mas é mais uma percepção para trabalhar na nossa sala fictícia.   

Agora que criamos o contexto geral, vamos para o próximo passo ao criar um learning outcome: o uso de verbos específicos. É necessário usar palavras que mostram ações observáveis pela professora. Por exemplo, usar verbos como: identificar, pegar, falar, escolher, juntar, nomear, ordenar, mostrar e outros, leva a professora para uma avaliação mais fiel à realidade.

Quanto menos a gente pensar “será que fulano está fazendo o que eu acho que está fazendo” mais perto chegamos da objetividade.

 Pode fazer 1x e só né? NO WAY, JOSÉ!

E sua frequência? Será que se a criança fizer aquela ação uma vez na vida ou só em um lugar específico vale registrar como se a criança alcançasse o objetivo de aprendizagem? Por isso também é interessante colocar a frequência ou algum indicador de espaço e tempo dentro no learning outcome

Diante desses pontos, podemos pensar naquelas duas perguntas que mencionei:

  1. “Eu vou saber que a criança alcançou esse objetivo se ela consegue…” 
  2. “Se a criança fizer …, eu vou saber que ela entendeu ….”

Já que escolhemos um objetivo linguístico da BNCC – uma habilidade –, vamos tentar responder a primeira pergunta usando nosso conhecimento sobre o contexto fictício. 

Aliás, vou dividir em duas perguntas, uma para cada grupo de habilidades produtivas na língua inglesa. Vamos lá?

“Eu vou saber que a criança nova na língua inglesa alcançou esse objetivo se ela consegue…

  • Pedir para uma professora pegar ou vestir uma jaqueta, meia, calça (se tiver usando sandálias ou bermuda/saia) ao sentir frio em situações de ar livre. 
  • Vestir um boneco ao escutar da professora “It is cold outside” ou “I think she is cold” enquanto a criança está na brincadeira de faz de conta. 
  • Assinalar com a cabeça ou dizer “yes ou sim” ou “no ou não” ao ser perguntado em inglês se precisa usar o banheiro ou se a fralda está cheia.

Eu vou saber que a criança com um bom entendimento da língua inglesa alcançou esse objetivo se ela consegue…

  • Pedir para uma professora pegar ou vestir uma jaqueta, meia, calça (se estiver usando bermuda/saia) falando pelo menos o nome da peça de roupa em inglês, ao sentir frio em situações de ar livre.
  • Escolher a roupa apropriada para um boneco ao escutar da professora diferentes estados de tempo como “It’s raining/hot/cold/windy, what should she wear?” enquanto a criança e a professora estão na brincadeira de faz de conta. 
  • Dizer “yes” ou “não”, e se possível “wee/pee” ou “poop/poo-poo”, para nomear qual precisa fazer, ao ser questionado em inglês se precisa usar o banheiro ou se a fralda está cheia.

Você consegue ver como criar learning objectives facilita esses três aspectos do processo de aprendizagem:

  1. Cria as condições que precisamos elaborar no planejamento semanal de forma natural. 
  2. Direciona o nosso olhar avaliativo e mediador durante o fazer pedagógico em sala de aula. 
  3. Torna possível atingir, de maneira contextualizada e apropriada, os objetivos gerais de aprendizagem que recebemos. 

Demanda tempo? 

Mais ou menos …

I  mean, yes. Entretanto, mas, e porém, tenho uma coisa para falar sobre o nosso tempo:

Que criando learning outcomes facilita e economiza seu tempo ao criar seus planejamentos, e com isso libera mais tempo durante a sala de aula para você olhar e focar no que realmente importa sem entrar nos questionamentos de “será que vi o que vi?” e suas mil interpretações – isso sim gasta tempo, e muito. Quantas vezes você não estava tomando um banho pensando nisso? Ou foi escrever um relatório e não tinha certeza se a criança atingiu um objetivo de aprendizagem?

Queremos cada vez mais tirar ao máximo a nossa subjetividade ao avaliar, pois a sala de aula já está cheia de subjetividade – no bom sentido – mas…levantar dados para nos direcionar para melhorar os processos de aprendizagem em sala demanda maior objetividade. 

 Quer uma dica de ouro?

Existe um software que ajuda a criar learning outcomes de graça! E embora o site diga que você vai criar um “Learning Objective”, é só para confundir, pois você vai criar um “Learning outcome”. Então, esse software pode sim ajudar muito você a deixar claro o que precisa olhar ao planejar e avaliar. 

Outro dica? Fazer com seus colegas de trabalho. Um bom brainstorming para cada objetivo facilita a vida de todas as professoras e direciona o olhar de todas as pessoas envolvidas, pode até ser um bom treinamento para uma reunião pedagógica, hein coordenadora?! 

Clique para usar o software: https://learning-objectives.easygenerator.com/

Além de oferecer cursos, mentoria e muitas outras coisas, temos learning outcomes prontas para qualquer área de desenvolvimento pensando na criança bilíngue da Educação Infantil. Entre em contato para marcar uma reunião de apresentação!


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