O que o Gato de Cheshire nos ensina sobre planejamento

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Inspiração

“Would you tell me, please, which way I ought to go from here?”

“That depends a good deal on where you want to get to”, said the Cat.

“I don’t much care where”, said Alice.

“Then it doesn’t matter which way you go,” said the Cat.

Alice’s Adventures in Wonderland by Lewis Carroll

Reflexão

A conclusão do Gato no País das Maravilhas resume perfeitamente um dilema que encontramos frequentemente entre nossas seguidoras. Muitas nos perguntam: o que eu devo fazer com minha turma de três anos? Bem, se você não sabe quais são seus objetivos de aprendizagem, não importa o que você faz. Sem um bom planejamento, você não estará ensinando as crianças, você estará entretendo. Seu planejamento é um instrumento poderoso: ele conecta objetivos, expectativas para a faixa etária, as características e interesses do seu grupo e aquisição de segunda língua, tudo isso costurado com seu tempero pessoal! Sem ele, é musiquinha, massinha, flashcard e atividade na folha sulfite, com uns vídeos de YouTube quando sobra tempo ou acaba a sua criatividade para ficar “inventando” aquilo que não achou no Pinterest. 

Ação

A receita de sucesso para um planejamento é uma composição de três aspectos, então vamos pensar em como fazê-los na prática! 

O primeiro é conhecer aquilo que é esperado para a faixa etária do grupo para o qual você está planejando, incluindo desenvolvimento motor, socioemocional e verbal. Você sabe quando é esperado que uma criança pule com dois pés? Você sabe quantas palavras devem compor seu vocabulário aos 18 meses? Como a pega do lápis deve evoluir até o momento da criança ter que traçar letras e números? 

Claro que existem intervalos para esses marcos de desenvolvimento, mas é muito útil que você tenha uma ideia daquilo que você pode esperar do seu grupo. E é importante buscar essas referências em lugares que sejam baseados em evidências, como as associações de pediatria e fonoaudiologia ou guias do ministério da saúde. 

Faça esse levantamento assim que você souber qual será sua turma naquele ano. Se for a primeira vez que você vai trabalhar com essa faixa etária, reveja suas anotações em maio e setembro. Aqui uma dica importante também é considerar a idade de cada criança: é provável que você tenha crianças com dez, onze meses de diferença no mesmo grupo, e isso pode fazer bastante diferença! Ter uma criança de 3 anos e 10 meses no mesmo grupo que uma que tem 4 anos e 8 meses geralmente demanda adequações. 

O segundo componente central para fazer seu planejamento são os seus objetivos, tanto para aquela semana quanto para aquele trimestre ou semestre. Quais as expectativas da escola para o semestre? Que as crianças adquiram determinado conjunto de vocabulário? Façam a correspondência entre a escrita e o nome do número em inglês? Saibam as cores? Respondam perguntas que comecem com “Where’s the…”

Se a escola não fornece esse documento, você vai ter uma boa pista olhando para o relatório que é esperado que você faça no final do ciclo. Ele tem uma tabela que mostra os itens que a criança consegue sozinha/em desenvolvimento/precisa de ajuda, sempre/frequentemente/ocasionalmente/nunca, ou classificações deste tipo? Se tiver, você já vai saber exatamente como orientar seu trabalho, basta ir quebrando esses itens em passos menores e avaliando continuamente para “sentir a temperatura” do que precisa ser retomado com mais ou menos intensidade. 

Mesmo que sua escola trabalhe com relatório apenas descritivo, existem aspectos que precisam estar presentes – converse com sua coordenadora para saber de forma explícita. A partir dessa orientação, você pode ir construindo os objetivos para o semestre, o mês e a semana, sempre revendo para reajustar. Para saber mais sobre como escrever Learning Objectives e Learning Outcomes, clique aqui.

O terceiro componente é a escuta das crianças. Aqui, o termo escuta está sendo usado de forma bem ampla – ele inclui o que elas verbalizaram, aquilo que você observou e aquilo que você avaliou. Um grupo de crianças está com uma dificuldade específica? Traga para o planejamento! Uma preferência por um material/história/tema está emergindo? Traga para o planejamento! Você tinha uma expectativa realista de que um procedimento já deveria estar automatizado e não está? Acertou, planejamento! 

Com o tempo e a maturidade profissional, planejar vai se tornando mais fácil e mais rápido, embora nunca deva deixar de ser um momento altamente reflexivo. Tenha sempre esses componentes em mente ao planejar: você vai perceber o quanto suas propostas serão mais efetivas e significativas para seu grupo. E, se desejar aprofundar-se mais nesse tema, conheça nosso curso Planejamento Bilíngue de 15 horas ou o curso de extensão de 120 horas e certificado pelo MEC “O fazer pedagógico bilíngue na Educação Infantil”. 


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