Trazendo o brincar para a aprendizagem de língua

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Inspiração

“Acho que o quintal que a gente brincou é maior que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade.”

Manoel de Barros – Memórias Inventadas: Infância

Reflexão

Árvore da praça, areia da praia, terra do quintal. Onde estão esses elementos no brincar cotidiano de nossas crianças? Hoje, vemos crianças distantes desses territórios, e também distantes das possibilidades de construir memórias afetivas e repertórios linguísticos e sociais que a brincadeira proporciona. Qual nosso papel diante de uma deficiência de possibilidades do brincar? 

Ação

Brincadeira é coisa séria, e precisa ser encarada com comprometimento pela instituição escola. Criatividade, inventividade, imaginação, independência, autonomia, planejamento, observação, negociação, movimento, coordenação motora fina e grossa, pensamento lógico e matemático, repertório verbal e simbólico… poderíamos passar horas falando sobre as habilidades mobilizadas durante a brincadeira livre. Mas, então, por que esse momento é cada vez mais raro na escola? E, mais ainda, como podemos trazer o brincar para nosso cotidiano bilíngue?

O primeiro fato importante a ser compreendido é que, embora uma das características definidoras do brincar é que ele é um momento não estruturado, isso não quer dizer que não deva ser cuidadosamente planejado e proposto por você! Ah, se você quiser conhecer mais características que definem o que é free play, leia aqui!

Mas como fazer isso? Listamos 4 passos para você trazer um brincar significativo – e bilíngue! – para seu grupo:

1- Observe e registre

Antes de pensar no que você quer propor, take a step back. Do que as crianças brincam, quando podem acessar livremente os materiais e brinquedos da sala ou estão no parque? Quem propõe a brincadeira? Quais conflitos emergem? Anote essas informações, pois agora você pode refletir sobre elas, encontrar padrões e escolher propostas com base nas suas observações.

2- Deixe materiais-convite

Considerando suas observações, você vai oferecer uma variedade de materiais que apoiam a expansão da brincadeira. Por exemplo, se as crianças estão cuidando das bonecas, ofereça roupinhas, escovas de dentes e de cabelo, modele essas ações e apresente esse vocabulário na roda ou em pequenos grupos. Se estão interessados nos dinossauros, você pode montar uma mesa/bandeja com terra, pedras, uma caverna improvisada. Do que brincam do lado de fora? Precisam de materiais para arremessar, escalar, equilibrar, construir? Se seu grupo é de toddlers, quais materiais apoiam os schemes que eles estão mostrando a você? Precisam de materiais de empilhar? De girar? De classificar?

3- Planeje blocos de tempo 

A brincadeira precisa ganhar cadência para permitir a emergência do aprendizado. E, de forma muito contraintuitiva, quanto mais velhas as crianças são, de mais tempo elas precisam, já que as narrativas ou regras do brincar se tornam mais complexas e elaboradas. Assim, não adianta anunciar “free play!” nos últimos dez minutinhos porque não vai dar tempo de fazer aquela última atividade. A brincadeira precisa estar garantida no seu planejamento! Outra consideração interessante é que, se suas crianças não estão acostumadas a blocos de tempo para brincar, muitos conflitos emergem. É como se houvesse uma ansiedade de “precisar brincar com tudo e de tudo ao mesmo tempo”. Então, o melhor a fazer é garantir esse tempo na rotina, verbalizando para as crianças e aumentando o tempo progressivamente. 

4- Adote uma postura pesquisadora

Enquanto as crianças brincam, você deve estar mais atenta do que em qualquer outro momento. É sua oportunidade de observar para alimentar uma espiral de qualidade do brincar: de que as crianças estão brincando? Qual o suporte linguístico que preciso apresentar/sistematizar/rever para que a língua ocupe um papel comunicativo de forma natural? Quais parcerias/lideranças estão se formando, devo reforçá-las ou alterná-las em outras propostas? Como posso expandir as brincadeiras que estão acontecendo? Essas reflexões impactam diretamente seu planejamento e tornam todas as suas propostas muito mais significativas.

Seguindo esses passos permeados por sua reflexão, você vai perceber em algumas semanas o quanto o brincar está se tornando um momento central do seu cotidiano para a aprendizagem da língua. E aquela reclamação recorrente de que “meus alunos até falam inglês no circle, mas nunca falam enquanto brincam” vai sumir! Se você quiser se aprofundar nesse tema, conheça o minicurso Brincar Bilíngue que nós oferecemos! 

Enjoy your free play time!


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