Precisamos falar sobre Halloween

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Não temos nada contra o Halloween em si. Mas ele levanta uma questão que escolas de idioma e escolas bilíngues ou com programas bilíngues precisam refletir: o que estamos trazendo para a cultura brasileira?

Como o Halloween chegou aqui? Quais foram as pessoas que trouxeram essa ideia para o Brasil? Por que, de todos os festivais que o Brasil poderia importar de outros países e culturas, escolheram o Halloween? E, por último, mas em primeiro lugar, por que o Brasil está importando festividades de outros países? Estamos com falta de festivais?

Quando falamos de inglês para escolas brasileiras – com exceção das internacionais – estamos falando de uma língua franca. E, quando decidimos importar uma data comemorativa no Brasil, estamos propondo uma mudança cultural.

Você sabia que, em 2013, a Comissão de Educação e Cultura elaborou o projeto de lei nº 2.479/2013, para tentar estabelecer o Dia do Saci de propósito no mesmo dia do Halloween?

A escolha do dia 31 de outubro, quando é comemorado o Halloween (Dia das Bruxas) nos Estados Unidos, festa que a cada ano atrai mais crianças brasileiras, é proposital…A intenção deste projeto é ensinar as crianças que o País também tem seus mitos, difundindo a tradição oral, a cultura popular e infantil, os mitos e as lendas brasileiras. Em vez de bruxas e gnomos, a manifestação cultural deve valorizar figuras folclóricas que se refiram às tradições brasileiras. Afinal, o saci é da nossa cultura e uma síntese das três raças que estão na origem da nação brasileira – o índio, negro e o branco.” Pode conferir o projeto por completo aqui.

Apesar desta tentativa, aconteceu uma falta grande na implementação da ideia de uma nova comemoração brasileira para crianças. Afinal, o que uma criança deve fazer no Dia do Saci? Têm escolas brasileiras que comemoram? O fato é que foi uma ideia, uma tentativa, de proteger a cultura brasileira de mais uma influência esmagadora da cultura americana, e não deu certo pois não teve adesão.

Como esperado, o comércio não perdeu a chance. Vendo que muitos brasileiros pegaram gosto pelo festival, ele já está virando febre e não tem volta, temos duas reflexões frente a essa situação:

  1. Queremos que as escolas de idioma e bilíngues entendam o poder que elas têm de provocar mudanças culturais no Brasil. A escolha de qualquer celebração na escola precisa ser pensada com base na pedagogia local e não simplesmente colocado como uma forma de incentivar as crianças a gostarem ou falarem mais inglês (e afinal, nesse dia de empolgação na escola, raramente falam inglês – to “trick or treat” mesmo).

    Mesmo no projeto de lei, está escrito “No Brasil, o Halloween começou a ser celebrado há 20 anos, trazido por escolas de idioma inglês.” Por isso, cada vez mais precisamos desvincular o ensino da língua inglesa de um país específico, mas sim encarar o inglês como um meio de comunicação global, de multiculturalidade, de língua franca.

  2. Halloween foi trazido na forma como é celebrado pelos adultos e não pelas crianças. O que veio se instalar no Brasil foi a versão de medo e terror de Halloween, mesmo para crianças pequenas. Isso é algo que, já que o Halloween chegou e vai ficar, escolas da Educação Infantil e anos iniciais precisam tomar cuidado. Em que outro momento a escola incentiva o medo e o pesadelo para crianças? Isso é uma loucura e uma falta de proteção à criança. Para crianças nos EUA, é muito mais parecido com um baile de carnaval onde cada um veste uma fantasia qualquer, do que algo que instiga o medo. Invistam em uma versão mais light, de abóboras, espantalhos felizes, milho e outros símbolos de halloween para a infância.

Olha a responsabilidade que temos para cuidar da cultura local e olha como pode ser fácil mudar uma cultura. Escolas de idioma e bilíngues, tomem cuidado com o que implementam nos seus calendários letivos! Você está colocando eventos que vão virar nostálgicos nas vidas das crianças brasileiras e que eles vão querer reproduzir com seus filhos. Somos todos produtores de cultura, então devemos ser responsáveis com aquilo que apresentamos para as crianças. É assim que se muda a cultura. Da ESCOLA para o mundo. Vamos pensar nesse calendário com mais cautela, agregando um olhar multicultural e preservando o que é nosso em primeiro lugar.


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