A treta do calendário

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O calendário é um momento do circle sempre presente nos contextos bilíngues. Diariamente, as crianças precisam recitar os dias da semana, dizer “Yesterday was Sunday, today is Monday and tomorrow will be Tuesday.” Algumas professoras marcam um X no dia que passou, outras desenham uma coisa diferente que vai acontecer naquele dia, como um pincel no dia da aula de artes. Talvez as crianças colem ou escrevam o número do dia – sempre função do helper. Enfim, não importa como esteja sendo usado, o calendário está lá, firme e forte, faça chuva ou faça sol, todos os dias.

Agora, eu pergunto – qual o SEU objetivo de ensino quando faz o ritual do calendário?

Se a gente for considerar que cada ano letivo tem 200 dias, as crianças estão repetindo os dias da semana 200 vezes por ano, nos cinco anos da Educação Infantil. Será que precisa de 1000 repetições para aprender um conjunto de 7 palavras? Se você perguntar hoje, no meio do dia, para uma criança qualquer da sua turma “What day is it today?“, ela sabe responder? E mais, ela sabe o que isso quer dizer?

Uma das funções do calendário é ser um instrumento localizador do tempo. Se seus alunos não sabem a diferença entre ontem e amanhã – “Amanhã eu fui na minha vó” é uma das frases mais faladas na Educação Infantil – então insistir no calendário como instrumento de temporalidade não faz nenhum sentido, muito menos passar anos repetindo os nomes dos dias da semana.

É para queimar o calendário, então?

De forma alguma! Existem muitas formas significativas de colocar o calendário em movimento na Educação Infantil, mas todas requerem planejamento, entendimento das habilidades necessárias e intencionalidade para fazer um trabalho significativo e consistente. Importante dizer que o trabalho com o calendário deve ser alinhado entre todos os anos, fazendo uma progressão para garantir que todas as habilidades serão desenvolvidas. Vamos sugerir aqui um uso de calendário por idade durante a Educação Infantil:

  1. Até 2 anos – não recomendamos usar o calendário nesta faixa etária, mas se sua escola exige ou se você ainda não está pronta para tirar esse momento da sua roda, você pode usar o calendário convencional, ou seja, uma página com os quadrados organizados em semanas. Você pode dizer o nome do dia, se tem especialista ou algo diferente dos outros dias, e pode usar, a cada mês, uma coisa diferente para preencher os dias. O importante aqui é construir a noção de que cada quadradinho representa um dia. Então, você pode colocar uma fotinho do rosto do helper naquele dia, representar uma atividade feita ou história lida, desenhar a fruta do lanche, desenhar/colar um animal ou algo que se relacione com o que você está trabalhando no período. Nesta idade, focar na rotina do dia é muito mais relevante do que na rotina da semana ou do mês. Uma dica é fazer o X no dia na hora do good-bye, ressaltando que aquele dia terminou, a noite vai chegar e amanhã será um novo dia.
  2. Turma dos 3 anos – nesta faixa etária, eles vão começar a perceber as regularidades da semana. Você pode usar o calendário convencional no primeiro semestre com cada coluna de uma cor e ressaltar um evento por dia da semana que garanta a percepção da regularidade (figura de uma nota musical – Wednesday is music day, figura de uma casinha – Saturday and Sunday are rest/free days, we don’t come to school). Assim, eles começam a criar a noção de que todas as segundas-feiras são dia de P.E, todas as sextas são Toy Days e que, quando uma semana acaba, outra começa. No segundo semestre, você pode iniciar um calendário linear. Ao final de cada mês, vocês irão organizar as semanas “uma em cima da outra” de acordo com a percepção da regularidade, para que eles possam expandir a noção de temporalidade e regularidade.
  3. Turma dos 4 anos – aqui você já pode pensar no calendário como planejador e também como registro do que já passou. Já que as crianças entenderam como o calendário funciona e suas regularidades, você pode usar o calendário como ferramenta para falar sobre futuro e passado e colocar o idioma em contexto. Essa é uma oportunidade para trabalhar before/after, how long ago, how many days/weeks ago something happened, how long/how many days until, for how long have we been doing something. Este grupo também já pode ter um trabalho focado nos meses do ano e em perceber as regularidades do ano, especialmente no segundo semestre (We have Carnaval, Easter, Festa Junina, and Children’s Day every year, eles podem inclusive trazer fotos desses eventos dos anos anteriores). Um bom procedimento é tirar o primeiro dia útil do mês para fazer todas as anotações relevantes com eles e retomar uma vez na semana, trazendo o idioma com intencionalidade. Uma dica é deixar todas as folhas do calendário do semestre expostas (de preferência em uma linha, hello direcionalidade da escrita!), para que eles possam ver de forma explícita essa passagem do tempo.
  4. Turma dos 5 anos – nesta etapa, a criança já construiu diferentes conhecimentos sobre o calendário, já sabe como ele funciona, já sabe como ele se relaciona com o tempo imediato (hoje é dia de aula de yoga) e com o tempo distante (faltam 20 dias para meu aniversário). Ela também já sabe nomear os dias da semana e dos meses. O calendário pode ser trabalhado para anotar os eventos importantes semanalmente, recontar eventos que já aconteceram e é muito útil para o trabalho de alfabetização matemática e alfabetização nas duas línguas. Então, olhe com carinho para o momento do calendário e tenha objetivos bem claros, pois seu uso traz oportunidades riquíssimas!

Com essas sugestões, você já pode fazer um trabalho bastante consistente e significativo com o calendário, abandonando as velhas práticas de recitar os dias da semana ou repetir “Today is, tomorrow will be, yesterday was” todos os dias! E se você quiser olhar para seu circle time e sua rotina com um olhar renovado, venha para nosso curso de extensão “O fazer pedagógico bilíngue na educação infantil”, certificado pelo MEC e totalmente on-line! Sua prática vai se transformar!


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