Sua roda está rolando?

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Quantas vezes você preparou uma roda maravilhosa e ela se perdeu entre um “Silence, please” e um “Please, sit down”? Pois é, toda professora sabe muito bem o que é interromper a roda cinco milhões de vezes para pedir a colaboração do grupo. Isso sem mencionar a infinidade de vezes que uma criança fala que não está entendendo nada, outra que fala “Quê?” toda hora e aquela que sempre precisa ir ao banheiro ou beber água assim que senta no chão. Quanta frustração essa dinâmica nos traz! Mas a boa notícia é que não precisa ser assim!

Refletir sobre a forma como a sua roda está acontecendo vai ajudar você a mudar ou manter aquilo que realmente importa para que este momento se torne muito mais significativo e prazeroso. Pequenos ajustes podem ser feitos e você vai começar a sentir uma melhora rapidamente, mas são mudanças mais profundas que trarão os melhores resultados a longo prazo. Então, fique por aqui para descobrir como fazer sua roda rolar!

Roda todo dia? De onde saiu essa ideia?

A primeira reflexão que você deve fazer é para que você acha que serve a roda. Por que é importante para você e para seu grupo de crianças estar juntos todos os dias para a roda? 

Sentar em roda é um movimento ancestral. Em nosso imaginário, temos povos tradicionais debatendo e celebrando em roda, em uma manifestação democrática de seus pensamentos e opiniões. Da mesma forma, segundo Linhares e Pedroso:

“Percebe-se que um dos principais motivos para realização das rodas de conversa é o aprendizado do diálogo entre todos, sabendo respeitar o outro, realizar acordos e combinados, fazer com que as trocas de ideias contribuam para o desenvolvimento social das crianças, beneficiando, assim, a qualidade das relações entre as crianças e na qual consigam expor seus sentimentos, vontades e pensamentos por meio da conversa”. 

Mas o quanto é possível fazer isso em um contexto bilíngue, especialmente com crianças de dois ou três anos? Nesse sentido, uma pergunta fundamental para orientar suas práticas de roda é: qual a função da roda no meu grupo?

Vamos pensar quais momentos do dia precisam, necessariamente, ser vividos de forma coletiva, e, mais ainda, pelo grupo todo ao mesmo tempo. A resposta a essa pergunta traz os momentos de reconhecimento e consolidação da experiência de coletividade. Assim, a chamada, os avisos e a rotina se tornam assuntos a serem tratados na roda. 

Aqui você encontra um post maravilhoso com 10 formas de variar a chamada na hora da roda

Olhar para o grupo e reconhecer cada integrante, decidir se estão presentes, levantar hipóteses sobre as ausências e organizar fotos e nomes é um procedimento quase que obrigatório na Educação Infantil. E sim, é importante ser feito. No entanto, podemos sempre pensar estratégias para tornar esse momento interessante, participativo e relevante para as crianças, priorizando o que é adequado para a faixa etária. Também podemos usar esse momento para fazer boas perguntas que mobilizem diferentes tipos de conhecimento, então que tal explorar nossa lista de dicas! Algumas estratégias são mais demoradas, então você deve escolher fazê-las em um dia em que não precise investir o tempo do circle em outros assuntos. Outras são mais rápidas, então você deve escolher usá-las quando tiver outras propostas para trazer para o circle. E falando em tempo de roda…

Quanto tempo a roda deve durar para ser sustentável?

Um dos principais fatores que contribuem para o fracasso da roda é o tempo. Tenho certeza de que você conhece a sensação de estar falando sozinha ou para apenas uma ou duas crianças. Se você acha que isso tem a ver com o idioma, I have bad news for you! 

A capacidade de prestar atenção em apenas uma coisa por mais de alguns minutos começa a se desenvolver na criança lá pelos cinco anos. Antes disso, a criança presta atenção de outras formas e por períodos curtos ou curtíssimos de tempo. Claro que podemos treinar um grupo de crianças para ficarem sentadas em silêncio olhando para nós – assim como poderíamos treinar um grupo de cachorrinhos –, mas isso definitivamente não indica que elas estejam prestando atenção, muito menos aprendendo. 

Dessa forma, sua roda não deve durar mais que 5 ou 7 minutos para crianças de até 3 anos, podendo ser esticada progressivamente até 15 ou 20 minutos aos 5/6 anos. 

Mas o que fazer então, se existem mil coisas a serem tratadas na roda todos os dias?

Bem, para garantir que as crianças estão efetivamente prestando atenção durante o circle, siga estes 6 conselhos:

  1. Menos é mais!

Isso vale para o tempo e para o número de crianças! A roda deve ser o mais curta possível para cumprir seu objetivo do dia. Escolha um objetivo e limpe tudo que não for essencial. Ninguém precisa recitar os dias da semana nos duzentos dias letivos do ano para aprendê-los! Leia aqui sobre a treta do calendário na roda. Então, se você quer introduzir um grupo de palavras ou modelar a forma de utilizar um material, stick to that! Sente-se com as crianças, faça seu ritual de início de roda e faça aquilo que você se programou para fazer. 

  1. Ritualize

Uma música que convida as crianças para a roda, um tecido que delimita o local, acender uma lâmpada diferente, uma canção de Hello, um cumprimento especial. Qualquer símbolo de que um momento diferente do dia começou vai ajudar a indicar para as crianças a postura esperada para a roda. Mas atenção: seja consistente com o ritual que escolher e explicite seu significado. Quanto mais novas as crianças, mais tempo vai demorar para elas incorporarem a simbologia, então pense em semanas, não em dias. Mas, uma vez estabelecido, o ritual vai economizar muito tempo todos os dias. 

  1. Quebre a roda

Se na mesma roda você quiser fazer a chamada, contar uma história, trabalhar com flashcard, cantar, fazer o calendário e ouvir cada criança falar sobre o fim de semana, sinto muito, mas você vai pedir silêncio e colaboração (na melhor das hipóteses) umas cinquenta vezes. Abra a roda, faça a chamada, cante uma música que eles possam dançar em pé, fale sobre a rotina ou como será o dia e fim. Em outro momento, você pode cantar novamente e fazer a leitura. 

  1. Movimento

Considere sempre colocar movimento nas atividades de roda. Essa sugestão é muito contraintuitiva e tenho certeza de que você está pensando: “Se quando as crianças finalmente estiverem sentadas eu pedir para elas levantarem, acabou! Vou perder totalmente o controle e elas não vão conseguir se reorganizar!”. No entanto, o que observamos na prática é exatamente o contrário: quando as crianças sabem que podem alternar momentos sentadas com movimento, elas conseguem se manter calmas por mais tempo e são mais cooperativas. Tudo é construção, então saiba que você vai ter um período de adaptação mais caótico antes de estabelecer essa alternância de forma fluida. 

Movimento também não precisa ser todo mundo de pé pulando (mas pode ser também), mas pode ser cada um levantar de uma vez, coreografias animadas que acompanham as músicas, duplas ou trios saírem da roda para uma ação e voltarem em seguida, enfim, sinta seu grupo e adicione movimento de acordo com sua intenção e capacidade do grupo.

  1. Interação 

Uma herança do Ensino Fundamental é a aula expositiva, que se infiltrou na Educação Infantil na forma de roda. Se você acredita que “a hora que você ensina mesmo é na roda”, hora de rever essa concepção! A roda nunca deve ser vista como um momento de “passar” conteúdo para as crianças. Assim, a roda não é um palco para você falar e esperar ser escutada. Como já dissemos, a roda é um espaço de troca e escuta, então deve ser o mais interativa possível. Da mesma forma que você não deve passar grande parte da roda falando com as crianças, uma péssima proposta para a roda é trazer o famoso “cada um conta o que aconteceu no fim de semana”. Todas as falas são apressadas, não há tempo para boas intervenções de língua e ninguém se escuta, o que faz com que uma ideia que era para ser uma conversa descontraída se torne uma coleção de “silence, please”, “wait for your turn” e “pay attention, you friend is talking”. Se você está genuinamente interessada no final de semana, prefira ter essa conversa em pequenos grupos em outro momento. 

  1. Small groups

Essa é a dica de ouro para o sucesso de uma roda! Tudo que não for essencial para o grupo experimentar como coletivo deve ir para os small groups. Flashcards? Small groups! Práticas de estrutura/vocabulário? Small groups! Conversas informais que você aproveita para modelar/corrigir falas? Small groups! Práticas de leitura? Small groups! Em grupos de quatro a seis crianças, você consegue ouvir e ser ouvida, mediar de forma eficiente, observar para registrar, enfim… é o cenário ideal quando pensamos na relação ensino-aprendizagem! Planejar para small groups libera um tempo enorme da roda, diminui consideravelmente a dispersão das crianças e é a mais eficiente ferramenta de classroom management a que temos acesso! Use sem moderação e sinta o quanto sua roda vai se tornar muito mais intencional!

Viu só como a roda é um momento que vale ser repensado de forma intencional? Se você quiser ampliar essa reflexão, temos duas aulas só sobre a roda no curso de extensão “O fazer pedagógico bilíngue na Educação Infantil”. Clique aqui para saber mais sobre o curso e veja sua roda rolando!

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