A consistência da professora é a base para que um novo procedimento se torne parte da rotina. Isso significa repetir a mesma abordagem, usar as mesmas palavras e adotar as mesmas ações até que as crianças internalizem o que é esperado delas. Igualmente importante, é passar por um processo de noticing com as crianças.
Vamos pensar que o procedimento que você quer que seja implementado é a forma de organização para lavar as mãos antes do lanche. Depois de você já ter planejado o procedimento, você vai trazer as instruções para as crianças usando comandos simples e apoio visual. Faça perguntas para garantir a compreensão e modele o que você quer que aconteça.
E, como mágica, elas farão tudo perfeitamente desde o primeiro dia, certo?
Claro que não!
Isso quer dizer que o procedimento não vai dar certo e a hora de lavar as mãos vai ser um caos o ano inteiro?
Claro que não também!
Tanto você quanto as crianças estão em uma curva de aprendizado. Introduzir algo novo não é apenas ensinar; é também adaptar, observar e ajustar conforme necessário. Nas primeiras semanas, pode ser frustrante perceber que o procedimento ainda não está fluindo como imaginado, mas isso faz parte do processo.
Assim como aprendemos uma habilidade nova aos poucos, as crianças precisam de tempo e prática para compreender e realizar o que é esperado. Nesse período, a resiliência é fundamental para manter o foco nos objetivos sem se desmotivar com os desafios iniciais.
Quando você mantém consistência, cria previsibilidade para o grupo, algo essencial em um ambiente bilíngue, em que as crianças estão lidando não apenas com as demandas comportamentais, mas também com as linguísticas.
Mesmo quando parece que “nada está funcionando”, persistir no modelo planejado é o que ajudará as crianças a se sentirem seguras para experimentar, errar e aprender. Da mesma forma, planejar os comandos que serão utilizados e repetí-los de forma consistente é parte fundamental do processo. Seu mantra deve ser: faz parte da curva de aprendizado.
Então é só esperar?
Mais uma vez, a resposta é não. Não é o tempo que vai implementar o procedimento. É você!
Nos primeiros dias, você vai modelar o procedimento na roda, para que as crianças enxerguem “de fora” o que é esperado delas. Você vai pedir para que algumas crianças façam de conta que estão performando o procedimento para que outras possam comentar.
Nos dias subsequentes, você vai fazer pequenas rodas após o procedimento – depois do lanche, no nosso exemplo – para que as crianças possam compartilhar o que viram e fizeram e o que precisa ser adaptado, mantido ou corrigido. Isso é o processo de noticing, ou seja, “reparar” de forma reflexiva e propositiva.
Passando pela curva de aprendizagem COM as crianças e sob a sua liderança é o que vai fazer com que a implementação do procedimento ocorra. Vale reforçar que implementar novos procedimentos com sucesso requer paciência. O progresso pode ser gradual, mas cada pequeno passo representa uma conquista. E isso é consistência: a capacidade de caminhar passo a passo na direção desejada.
Reconhecer os avanços, tanto para as crianças quanto para si mesma, é essencial. Você pode celebrar pequenas vitórias ao ver que as crianças estão começando a se engajar com o procedimento ou que estão seguindo uma das etapas de forma mais autônoma. Isso não apenas motiva o grupo, mas também lembra a você que o esforço vale a pena.
Transformar um plano em prática consistente é um investimento que resulta em um ambiente mais organizado e produtivo, permitindo que você e suas crianças aproveitem melhor os momentos de aprendizado. Portanto, cultivar a sua resiliência e consistência durante o processo de implementação de cada procedimento é uma estratégia de classroom management que traz ótimos frutos!







