Adaptação Bilíngue: não é hora de ensinar – mas é hora de aprender!

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O novo ano começou e a expectativa de novos grupos aumenta a cada dia! Como serão as crianças, as famílias, os projetos? Nas férias, você já ficou salvando posts das redes sociais e printando a tela com ideias bacanas para decorar a sala ou fazer atividades nas primeiras semanas, não foi? 

Quando a semana de planejamento começa, a expectativa tem um pico. Talvez você tenha aquela reunião de “passagem” e já começa a pensar: “tal criança precisa entrar na linha rápido, a mãe de não sei quem é uma fera…” Um misto de sensações fervilhando até que começa o momento de organizar a sala e separar os materiais. Você vai olhando para os flashcards, os brinquedos, o material didático, e começa a planejar as primeiras semanas.

E a sua expectativa aparece neste planejamento, ela se materializa na enorme quantidade de atividades, propostas, avaliações diagnósticas, listas de palavras, combinados e estratégias de classroom management que você pensa em implementar nas primeiras semanas de aula. Nada como começar com o pé direito, certo?

Bem… não muito!

A gente vai propor um início de ano diferente! Vamos convidar você a deixar o currículo em pausa por uma quinzena ou duas – acredite, não vai faltar tempo para mergulhar nele ao longo do ano. Vamos te convidar a ocupar seu tempo e energia mental e emocional em quatro frentes diferentes:

1- Criar um senso de comunidade

Uma das diferenças mais marcantes entre a vida familiar e escolar é a coletividade. Se em casa o adulto pode sempre escolher esperar ou negociar, na escola isso nem sempre é possível. Não podemos atrasar o snack em 30 minutos porque uma criança não está com fome ainda, mesmo porque outra pode estar faminta e o ajuste para ela teria sido adiantar. 

Com isso, é muito importante que a criança entenda desde o início que o ritmo da escola está conectado ao grupo, e que muitas vezes ela terá que esperar, dividir, ceder. E uma forma de tornar esta transição mais empática e suave é fomentar o senso de coletividade da criança, sua identidade como parte de um grupo.

Uma estratégia que pode ser empregada para isso inclui criar um nome para o grupo “we are the rainbow group, we play together!”, “Ok, butterflies, time to clean up!”, “Lets go to the cafeteria the superheroes way!”. Outra é propor atividades coletivas, como colagens e pinturas, em que todos possam contribuir e criar uma obra coletiva. Usar propostas e jogos cooperativos também se mostra eficiente para reforçar a identidade de grupo. 

2- Planejar e comunicar os procedimentos diários

Aqui, não estamos falando de se apressar para “colocar o grupo nos eixos” desde o começo. Estamos falando sobre você ter clareza de como os momentos cotidianos da rotina acontecem para que você informe, de maneira consistente, como as crianças devem proceder. 

Por exemplo, como vai acontecer o momento de lavar as mãos antes do snack? As crianças devem fazer uma fila? Onde? Vão esperar pela vez sentadas ou em pé? Podem sentar em grupos ou encostadas na parede? O que podem fazer enquanto esperam? Como você garante que não vão colocar a mão no chão depois de já terem lavado se você pedir que elas sentem para esperar o restante do grupo? Se não tiver fila, como você controla quem já lavou as mãos e quem ainda não lavou? O lixo está ao alcance das crianças? Elas alcançam a torneira ou você precisa disponibilizar um banquinho?

Deu para perceber que um momento tão trivial merece um mínimo de preparo! Muito do caos dos primeiros dias está relacionado a você não saber exatamente como cada ação deve ser feita. Se você for ocupar sua energia mental no primeiro dia para pensar como acontece a higiene das mãos, você vai acabar com um chão todo molhado, papel espalhado, disputas pela vez e conflitos pela ociosidade, lanche atrasado e você irritada (e possivelmente pensando que o grupo é do balacobaco!). 

Quando você já se preparou para esses momentos, você consegue dar instruções diretas, curtas e compreensíveis, os imprevistos diminuem, as crianças sentem que estão diante de um adulto que tem segurança do que está fazendo – e isso também as deixa seguras.

3- Conhecer seu grupo e deixá-lo conhecer você

Conhecer seu grupo vai muito além de avaliações diagnósticas. Nas primeiras semanas, é importante que você assuma uma postura bastante curiosa e observadora, pois identificar características e preferências do grupo e individuais vai fazer toda a diferença para que você traga propostas engajantes e significativas.

No entanto, é também preciso mudar de perspectiva e olhar o que as crianças estão vivenciando: elas têm um adulto novo e precisam decidir se ele é confiável, se ele é estável, se ele sabe o que faz. E, acredite, elas estão te observando para tomar esta decisão. Assim, você deve se planejar para mostrar quem você é: compartilhe com elas suas fotos, brinque com elas, fale das coisas que você gosta, compartilhe seus desafios. Nem sempre essa é uma tarefa fácil pela questão do idioma, mas veja como as oportunidades estão em todo lugar: você pode convidá-las para uma leitura e contar por que aquela história é um personal favorite, você pode comer com elas no snack e comentar quais frutas são as que você mais gosta, você pode ser a bebê na brincadeira de casinha.

4- Encantar e envolver

Uma das características mais deliciosas da infância é o olhar aberto para o encanto. Traga este encanto para a sua sala. Cada professora tem aspectos que considera fascinantes, não deixe de mostrar isso para as crianças! Você ama livros? A forma como você as convida para a leitura, os rituais que você traz para este momento e a sua paixão deve transparecer para encantá-las. Será que você é das artes? Traga seu conhecimento e compartilhe sua alegria ao estar em contato com propostas artísticas. Talvez você adore esportes, música, natureza? O que você tem para compartilhar e encantar que pode se tornar uma característica da sua turma?

Cada professora tem suas paixões, e as crianças têm a oportunidade de ter uma nova professora a cada ano, então elas podem mergulhar, ver sua paixão pela sua ótica e se encantar por diferentes coisas a cada nova professora. Uma mesma árvore no jardim da escola vai ser um cantinho de contação de histórias para uma professora, um objeto de investigação científica para outra, uma inspiração artística para a terceira, e assim as crianças vão desenvolvendo múltiplos olhares e encontrando suas próprias preferências. 

A vantagem de iniciar o ano desta forma é que você estará mais relaxada, compartilhando algo de uma forma que te agrada. Seu encanto fortalecerá o vínculo com as crianças, e você também tornará esse comecinho muito menos protocolar e muito mais aconchegante.


Empregando seu tempo e energia (física, mental e emocional) nesses quatro aspectos, temos certeza de que seu ano começará de forma muito mais tranquila, com um vínculo forte se estabelecendo entre você e as crianças e também entre as próprias crianças. Será uma adaptação com foco no grupo, sem pressão para iniciar conteúdo. No entanto, o conteúdo flui muito mais rápido quando o grupo está estabelecido, então essa é uma ótima forma de investir no sucesso do seu grupo!

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