Coordenadora, comece priorizando o essencial!

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Cada professora tem que ter um plano para o início do ano, mas talvez ele possa ser diferente daquilo que acontece todos os anos. Quando falamos de plano, não estamos nos referindo a um plano de aula, de atividades específicas para o desenvolvimento das crianças. Falamos de outro planejamento. Aliás, como fazer um planejamento certeiro de atividades sem nem conhecer as crianças? Sem desenvolver um relacionamento? Sem uma identidade do grupo? Sem que as crianças tenham confiança no(s) adulto(s) da sala de aula? Sem saber o que elas já sabem fazer com autonomia e o que elas podem fazer com ajuda?

Fazer um planejamento de atividades pensando na aquisição de novos conceitos e conteúdos nas primeiras semanas de aula é um total desperdício de tempo e tira o foco do que deve ser SIM planejado. Além disso, toda professora – e coordenadora – sabe que o que ela entrega para a coordenação nas primeiras semanas não vai ser feito de qualquer forma. So…let’s plan smarter?

E se não é para planejar as aulas, então o que deve ser planejado? A estrutura do dia, a criação de ligações afetivas com todas as crianças e suas famílias, a identidade do grupo, e as formas de conhecer os interesses e potencialidades das crianças. Veja em que a intencionalidade deve estar focada: 

Estruturação da rotina. 

Rotinas e procedimentos! A criança busca segurança do que é repetida, seguro e previsível. Você quer sala mais calma e crianças mais autônomas? Peça que as professoras foquem na criação de uma rotina fixa que contempla os seguintes elementos: a entrada e a saída, o lanche, as transições entre momentos exploratórios ou de brincadeiras, momentos de higiene e uso dos banheiros, e outros momentos que sua escola local tem. 

Além de estabelecer quando cada momento vai acontecer, estabeleçam o COMO e peçam que elas stick to it! O primeiro mês não é uma boa hora de trocar horários e procedimentos da rotina para criar novidades para as crianças. Nessas primeiras semanas, elas precisam de algo fixo, previsível e seguro – e as professoras também! Assim, todos conseguem focar no que é mais importante: a construção de uma relação de confiança entre escola, famílias e crianças. 

Criação laços afetivos. 

Esse é um elemento que requer intenção e o planejamento é crucial para criar um ambiente de aprendizado acolhedor e eficaz. Aqui estão três dicas incríveis para você dar para suas professoras para ajudá-las a planejar para esse momento de conexão:

  • 1. Crie um ambiente acolhedor: Observe se as professoras organizaram a sala de aula como um lugar convidativo onde cada criança se sente segura e valorizada. Fotos das crianças e das suas famílias, uma obra de arte do ano anterior (combine com a professora do ano passado para guardar uma das últimas), áreas confortáveis para leitura ou atividades em grupo, plantas e flores que não são tóxicas para crianças, tudo isso para criar um ambiente aconchegante para recebê-las.
  • 2. Demonstre interesse genuíno: Cada professora deve reservar um tempo para aprender sobre os interesses, famílias e histórico de cada criança. Mostrar um interesse genuíno nas vidas das crianças fora do ambiente escolar ajuda a construir confiança e uma conexão mais profunda. Oriente as professoras a incorporarem seus próprios interesses nas atividades exploratórias quando possível para que as crianças saibam que a professora realmente gosta e está interessada nelas.
  • 3. Passe tempo de qualidade: Sugira que as professoras dediquem partes do dia para interagir com as crianças individualmente ou em pequenos grupos sem a pressão de ter que fazer atividades que remetem aos objetivos de aprendizagem. Isso pode acontecer durante as brincadeiras, atividades artísticas ou exploratórias ou até mesmo alguns minutos de conversa enquanto um está lavando a mão ou amarrando seu sapato. Se você focar em planejar no início uma boa rotina com procedimentos sólidas e uma ligação afetiva, o restante do ano será muito mais produtivo em termos de aprendizagem do conteúdo curricular. 

Comunicação com a família. 

As famílias precisam confiar na professora e isso não pode ser feito por meio de você, coordenadora. Elas precisam falar COM ela e poder criar uma relação de confiança COM ela. 

Isso não significa que você não vai poder supervisionar essa relação ou que você não deva estar presente em algumas situações. Mas as crianças estão com a professora e as famílias precisam confiar não só em você, mas nela também. 

Cada escola tem as regras e procedimentos de comunicação entre professora e família e você precisa garantir que essa comunicação está sendo clara e bastante utilizada nessas primeiras semanas de aula. As professoras vão precisar de tempo para essa comunicação e isso cabe dentro do seu planejamento para elas. Quando é que você pode disponibilizar esse tempo de comunicação entre professoras e famílias? Uma ideia é que as reuniões pedagógicas começam somente após as primeiras 3 semanas de aula e que elas usem esse tempo para estar em contato com as famílias.

Criação da identidade do grupo. 

Oriente as professoras para que elas organizem propostas de colaboração entre elas e as crianças. Isso pode ser um projeto (enfeitar uma parede), um mistério a ser revelado (qual vai ser o nome do nosso grupo esse ano?), um ritual diário simples como criar um Chain Story onde todos se sentam juntos e criem narrativas mirabolantes, etc. Atividades compartilhadas promovem um senso de comunidade e trabalho em equipe, ajudando a fortalecer o vínculo entre professoras e crianças. 

Não esqueça de lembrá-las a começar cada dia com uma rotina de boas-vindas, como uma roda onde cada criança é cumprimentada pelo nome para que cada criança se sinta importante e incluída.E que sejam consistentes e justas na maneira de implementar procedimentos, regras e rotinas.  A consistência na implementação e nas expectativas proporcionam uma sensação de segurança e justiça na sala de aula. As crianças se sentem mais conectadas a adultos que tratam a elas e aos seus colegas de forma justa e com respeito!

Construir relacionamentos leva tempo! Paciência, empatia e interações positivas consistentes farão uma grande diferença na estabelecimento de um forte vínculo entre a professora e sua turma.

Conhecer as potências e interesses das crianças. 

Mesmo quando as professoras estão focadas na criação de boas rotinas, procedimentos, conexões afetivas e identidade de grupo, ainda falta algo ao longo do dia que normalmente é preenchido de momentos estruturados de ensino, não é mesmo? 

Nesses momentos nas primeiras semanas, dê liberdade para as professoras usarem esse tempo para conhecer pelo que as crianças se interessam, que as escutem, sobre o que falam, em que prestam atenção, de que brincam, que tipo de proposta engaja o grupo. Isso significa que elas precisam oferecer muitas oportunidades e opções de interesses possíveis. Alguns exemplos são:

  • Caixas sensoriais. Crie bacias cheias de diferentes materiais como feijões (dependendo da idade), bolinhas de hidrogel ou areia. Adicione vários objetos para que as crianças possam cavar, peneirar e explorar. Observar como cada criança interage com os materiais pode dar insights sobre suas preferências sensoriais e habilidades motoras.
  • Arte. Ofereça uma variedade de materiais de arte como giz de cera, marcadores, tinta e diferentes tipos de papel ou cartolina. Encoraje a expressão livre e veja para quais materiais cada criança é atraída. Deixar disponível as ferramentas de arte podem revelar os interesses da criança, preferências de cores e nível de foco.
  • Construção e Montagem. Forneça blocos, Legos, sucata ou outros materiais de construção. Esta atividade pode ajudar a avaliar suas habilidades de resolução de problemas, criatividade e capacidade de manter uma tarefa até o fim. Também mostra se preferem brincar sozinhas ou com outras crianças.
  • Música e Movimento. Toque diferentes tipos de música e observe como as crianças reagem. Elas preferem dançar, cantar ou brincar com instrumentos musicais? Isso pode indicar suas preferências auditivas e coordenação motora.
  • Brincadeira de faz de conta e fantasias. Dependendo da idade com que elas trabalham, disponibilize fantasias com vários trajes e acessórios. Brincar de faz de conta permite que as crianças se expressem e explorem diferentes identidades. É uma ótima maneira de descobrir suas habilidades sociais, imaginação e interesses.
  • Quebra-cabeças e jogos de resolução de problemas. Introduza quebra-cabeças e jogos simples que exigem resolução de problemas. Essas atividades podem ajudar a avaliar seu desenvolvimento cognitivo, paciência e persistência.

Assim, coordenadora, o planejamento das primeiras semanas não é sobre currículo, entregas e produções da equipe ou das crianças.  É sobre a criação de relacionamentos sólidos, confiança das famílias e rotinas e procedimentos estruturantes que vão percorrer e criar uma base sólida para um trabalho eficaz e transformador para o resto do ano escolar. 

E para tal, seu trabalho é orientar o que as professoras devem planejar antes de iniciar as aulas, supervisionar esse planejamento inicial e ajudar nas lacunas eventuais, garantindo tempo e flexibilidade para que as professoras avaliem o que cada turma precisa e as apoiando na criação de  laços afetivos com as crianças e suas famílias.

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